sábado, 23 de fevereiro de 2008

3.0 - Brown Ale US05

Esse estilo é o estilo da New Castle, que se trata de uma cerveja que aprecio muito. Porém todas as receitas da internet que a reproduziam exigiam um determinado fermento líquido, que dizem ser o elemento principal pra essa cerveja. E que não é disponível pra venda aqui no Brasil. Talvez importe ele no futuro pra fazer um lote.

Portanto acabei decidindo usar o BeerTools e me preocupar em fazer somente uma cerveja dentro desse estilo.

Usando os ingredientes que tinha disponível, a receita pra 20L acabou ficando dessa forma:

300g Carahell
250g Melanoidina
300g CaraAroma
150g Carafa
3.8kg Malte Pilsen
16g Lúpulo Columbus(15%) 40 minutos antes do fim da fervura
16g Lúpulo Mt.Hood (5%) 10 minutos antes do fim da fervura
Fermento Safale US05

No BeerTools, ela acabou se adequando desse modo:


Na verdade esse screenshot foi do resultado final que obtive, a gravidade prevista originalmente era de 1.048, porém acho que a eficiência acabou sendo melhor do que eu havia previsto, e obtive 1.0050.

Bom vamos ao processo...

Foi usado um método de infusão simples a 69 graus. Porém dessa vez, foi colocado apenas 10 litros de água pra fazer o mosto. Dá pra ver que ficou bem denso. Dava até pra espetar o termômetro e deixá-lo lá. O fato de usar somente esses 10L de água acho que deve ter ajudado bastante na eficiência pra fazer a lavagem...

O BeerTools preveu que para fazer a mistura do cereal, e atingir a temperatura de 69 graus, a água deveria estar a 76 graus. A água foi aquecida a esta temperatura, o fogo desligado, e o cereal misturado. Passado algum tempo a temperatura tava muito próxima disso, e foi uma questão de rápidos ajustes o fim do processo de fazer o mosto.


Terminado o tempo de infusão, foi feito o teste do iodo que já não mais mudava significativamente de cor, confirmando assim que o amido havia sido convertido pra açucares.

Então foi dado início a recirculação/lavagem do mosto. Esses 10 litros foram recirculados a fim de filtrá-lo. O resultado foi muito impressionante, realmente ficou limpo. Segue a foto da primeira extração:


Após essa extração acabou sendo usado 25 litros de água para fazer 5 lavagens com 5 litros de adição por lavagem. Ao final da lavagem foi obtido cerca de 29 litros de mosto para ser fervido. A última lavagem apresentou gravidade de 1.0008.

A fervura durou 90 minutos. Os lúpulos foram adicinados no tempo planejado, e após isso o mosto foi resfriado.


Resfriado o mosto, o fermentador foi posto alinhado com a válvula extratora do caldeirão e enchido.


Fermento foi posto logo em seguida e o fermentador guardado.

Com esse lote, coloquei em prática o processo de recirculação/lavagem do mosto. Fiz uso da Bazooka caseira, e vi que o resultado do processo foi melhor que o do lote 1 e 2. Pelo que calculei brincando no BeerTools, imagino que minha eficiência nesse lote tenha sido coisa de 78 a 79%.

Agora fica a expectativa pra ver se a fermentação vai terminar com a gravidade dentro do esperado também! Mas mais importante que isso, que tenhamos um gosto bom!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

-.- - Fazendo um Bazooka Screen

OK! Consegui finalmente fazer um "Home made Bazooka Screen". Deu trabalho... Não ficou do jeito planejado originalmente, mas o que importa é que funciona, e têm qualidade!!!

Antes de tudo, tive que desmontar a válvula extratora do caldeirão e recolocá-la. Pois, quando da primeira montagem, não havia deixado rosqueamento pra dentro da panela de modo que desse pra encaixar qualquer coisa. Pra minha surpresa, os "o-rings" (borrachinhas de vedação) estavam em perfeito estado. O que me poupou ter que procurar outros - "o-rings" pra envolver um tubo de 3/4 de polegada. Parece ser bem difícil de se achar o-rings nessa medida.

Vou descrever passo a passo pra quem esteja querendo fazer uma "D.o I.t Y.ourself Bazooka"...

1 - Fui num depósito de construção e comprei 2 tubos flexíveis envoltos por manta de aço. Tomei o cuidado de achar um que estava com a manta bem feitinha e alinhada. Tinha alguns desses tubos bem "meia boca"...

2 - O que realmente precisava fazer, era tirar o miolo de borracha. E esta foi a tarefa mais difícil que enfrentei. O objetivo inicial era retirar o miolo de borracha fazendo uma desmontagem pacifica da peça. Ou seja desencaixando-a. Mas isso se revelou impraticável. Acabei tendo que apelar pra força bruta do alicate cortando a peça em uma das extremidades e deixando a desse modo:


3 - Não tinha a menor idéia como ia fazer pra tirar o tubo de borracha. Até que depois de alguns dias sem mexer nisso, decidi simplesmente puxar com força bruta o miolo. Peguei um alicate, descasquei mais um pouco a extremidade vista na foto acima. Segurei no pé a extremidade rosqueável, e comecei a puxar com o alicate essa borracha. Puxava com força, e nada de retirar alguma parte da borracha. Ela somente esticava. Até que para minha surpresa depois de algum tempo de força bruta, escutei um "crack" lá em baixo e a borracha soltou bem na extremidade. Melhor que encomenda. Imaginava que ela provavelmente quebraria ao meio ou em algum outro lugar. Mas acabei dando uma sorte boa - pensei.

4 - Feito isso, usei uma tesoura velha para cortar a outra extremidade "detonada". A amassei, e fiz uma dobra para "fechar" a manta.



5 - No final das contas, no caldeirão, tinha um cano com encaixe macho rosqueável de 3/4 de polegada no caldeirão, enquanto na manta, tinha uma conexão macho de 1/2 polegada. Eu havia comprado um conector em T pra encaixar no caldeirão que iria funcionar, porém como esse não era mais meu plano, tive de comprar uma luva de redução(acho que é esse o nome) em inox de 3/4 pra 1/2 polegada, e nessa, ainda encaixar um adaptador em inox(se não me engano o nome é niple) pra conseguir encaixar o Bazooka caseiro. Veja na foto abaixo como ficou o resultado.


Enquanto escrevo esse post, na verdade já testei o Bazooka (ontem) fazendo o lote 3. Funcionou de modo perfeito. Ele reduz em um bocado o fluxo da válvula extratora mas não entope pra fazer a filtragem/lavagem, funcionou muito.

O único problema foi na fervura/resfriamento*. Acontece que quando se manda o líquido do caldeirão pra o tanque de fermentação, próximo ao fim do processo, quando o caldeirão ainda têm uns 2 litros, o lúpulo(em pellets) começa a entupir o Bazooka. Mas acho que a solução disso é comprar um saquinho pra lúpulo para usar na fervura. Ou até retirar Bazooka da panela antes da fervura.

* ps. uso chiller de imersão, por isso essa etapa pra mim é após o resfriamento...

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

2.2 - Lote 2 - Degustação

Imaginei que o lote dois ficaria melhor que o lote 1. Infelizmente não foi esse o caso. Se o lote 1 já era amargo, mas até aí um amargo aceitável pra tomar, o lote 2, por sua vez ficou amargo difícil de tomar. Resumindo, não gostei. A FG ficou em 20, ou seja, acabei obtendo pra o segundo lote uma cerveja com 5% de álcool. Ponto positivo pra o lote 2 foi só mesmo na capacidade de reter o colarinho.

Procurei pesquisar sobre esse problema de amargor, identifiquei algumas possíveis causas... Porém, na verdade, eu não sei nem quantas gramas e nem o tipo de lúpulo que foi usado no lote 1 e no lote 2. O kit não especificava nada nem lúpulo e nem cereal, só sei o fermento que foi usado e olha lá.

Pra o próximo lote, já estou me organizando melhor, nada de kits. Ainda mais agora que decidi usar o programa BeerTools. Pelo que vi esse programinha ajuda demais a preparar receitas dentro do estilo de cerveja que se quer obter. Da até como deve ser a brassagem, muito bom esse programa. Acho que vale apena comprar esse programa. Pra o próximo com certeza, vou programar tudo nele.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

2.1 - Envasamento - lote 2...

Como tinha no barril cerca de quinze litros (12 tirando o trub) de cerveja pra engarrafar, e tinha uma cervejinha um pouco mais forte de teor alcoolico, decidi usar as long necks de 330ml pra engarrafar.

Desastre! Logo na segunda garrafinha a máquina de tampinhas quebra... Não vou nem dizer o quanto esse tipo de evento atazana o andamento da coisa. Engarrafar já é chatinho, ainda mais quando quebra a máquina depois de já ter enchido todas as long necks... Não sei se essa quebra se deveu a fato de eu querer usar garrafinha pequenas. Mas o fato era que tanto a primeira garrafinha quanto a segunda, depois de por a tampinha acabava dando trabalho para desencaixa-las da máquina.

AINDA BEM que tinha garrafas PETs o suficiente, e foram elas que me salvaram!!!!

Terminado o processo, e a dor de cabeça causada pela quebra da máquina, no dia seguinte as garrafas PETs já exibiam evidencia de pressão dentro delas. Hoje já fazem 3 ou 4 dias que foram envazadas... Hoje ou amanhã abro uma.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

1.6 - Primeiro Lote Pronto

É isso aí... 1o lote tá pronto... Abri a primeira garrafa 3 dias depois de envasada, já tinha um pouquinho de gás, aí esperei mais 2 dias e ela já ficou bacana de gás, já tava dando pra tomar, como uma cerveja de verdade!!

Agora já fazem 7 dias, tá espumando bem legal, o gosto ficou amargo, mas dá pra relevar. E o teor alcoólico imagino que em torno de 2% ou 3%(não tenho certeza devido ao problema de quebra do densímetro quando tava fazendo esse lote).

O gosto ficou bem encorpado, a coloração de um dourado intenso e turvo. Acho que isso deve se dar ao fato de que eu não a filtrei e nem fiz a lavagem....

Na verdade acabou ficando melhor do que eu imaginava do que minha primeira leva ficaria... Embora tenha ficado um amargor além do que é desejável em uma cerveja.

Veremos o segundo lote daqui alguns dias...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

1.5 - Lote 1 - Maturação e Envasamento

Ontem completou 14 dias desde que o lote 1 foi feito e 11 dias desde que recebeu o reforço de fermento.

Obtive nos últimos dias as seguintes medições de gravidade:

Sexta feira 01/02 -> 13.5
Domingo 03/02 -> 11.5
Terça Feira 05/02 -> 11

Concluí que a fermentação já estava estacionando, tinha a intenção de por pra maturar na geladeira a 4 graus, mas infelizmente, ao contrário do que imaginava... Não consegui obter espaço o suficiente pra guardar a tina de fermentação!! No final das contas, decidi que ela não iria pra geladeira e sim, direto pra garrafa, vez que também acabei achando muito pouco o deslocamento de 11.5 pra 11(se é que realmente ocorreu...).

Fervi o priming, esperei que resfriasse até uns 30 graus e o despejei bem lentamente dentro da própria tina de fermentação afim de evitar que levantasse o trub(sedimentos), aguardei umas 2 horas e comecei a encher de cerveja as garrafas previamente higienizadas em uma solução de água sanitária por cerca de 1 hora.

A máquina de tampinha meio que dá um pouco de trabalho, mas não foi difícil, só acabou sendo meio chatinha pra montá-la pela 1a vez mesmo.

A baixo postei o que restou na tina de fermentação... nossos amiguinhos no fundo... Uma paisagem não muito simpática, porém se não fosse por eles... não teríamos a tal da breja!! :-) A direita o densímetro marcando 11 de gravidade.